Monday, March 17, 2008

O Fim da História... e do blog

Desde há 4 anos que este blog existe para alertar para a crise grave que se adivinhava.
A teoria da conspiração posta em prática dando a entender que não entendemos nada do que nos rodeia, mas o que aqui foi tentado foi uma teoria de acção económica baseada exclusivamente na conspiração de que todos somos vítimas, sobretudo quando nos colocamos de um lado ou de outro do espectro político.
Mas já nada disso interessa agora.
Aconselhei a compra do ouro e da prata quando eles estavam a 380 e 9 dolares cada. Hoje, o ouro ultrapassa os 1000 e a prata mais de 20.
Falei da crise do subprime em Fevereiro de 2007 quando hoje é aceite pelos economistas malucos que esta começou a 9 de Agosto de 2007.
Falei dos colapsos da bolsa quando tudo estava em grande para os especuladores e falei do aumento brutal dos juros quando estes ainda estavam a descer.
Falei no petroleo a 100 dolares quando este andava abaixo dos 30.
Falei no fim do império económico americano quando todos ainda acreditavam que este estava a ganhar poder.
Falei na abertura da bolsa de petroleo iraniana há mais de 2 anos e disse sem rodeios que o dolar iria colapsar sem qualquer pudor. Nem imaginam os maisl que recebi a dizer-me que não sabia o que dizia pois os EUA nunca iam deixar isso acontecer.
Em Fevereiro de 2006 lancei criticas ao atrasado mental do presidente da Associaçao Portuguesa de Bancos que aconselhava os portugueses a deixarem nas maos dos bancos o investimento das suas poupanças dando como exemplo ser uma excelente altura para comprar dolares. Chamo-lhe atrasado mental tal como lhe chamei na altura, simplesmente porque se lhe chamar ladrão é possível que me coloque um processo de difamação, apesar da História ter mostrado quem tinha razão.
Enfim, falei de tudo e mais alguma coisa e foi apelidade e rotulado de tudo e mais alguma coisa.
Tive grandes elogios de comunistas ferrenhos e de gente bem incorporada na extrema direita nacional.
Quando lhes disse que estavam muito confusos, nunca mais disseram nada e abandonaram definitivamente este blog, como se o que aqui digo deixasse de ter validade por não ter a mesma ideia politica que eles.
Quer uns quer outros querem que o Estado obrigue estes a fazer isto ou aquilo e eu só quero que o Estado nos deixe em paz. Aqui confesso que perdi, o socialismo, de extrema direita ou extrema esquerda ganhou e está na moda, o estado ameaça ajudar as familias sobre-endividadas e os verdadeiros culpados da crise, os bancos, conseguiram livrar-se de ser eles a pagar a crise e ainda por cima por o zé povinho a aplaudir. Noutros tempos mais anarquistas, esta gente era dizimada pelo mercado e nunca mais arranjaria emprego na area. Os seus bancos iriam à falencia e os outros aprenderiam com os erros como aconteceu em 1929. Assim, com os Estados a salvaram os bancos, os culpados saem ilesos e os cidadão bem comportados, que nao se endividaram é que pagam a crise. Enfim.
Mas serve este post para colocar um ponto final.
O aviso foi dado a tempo e horas, quem levou certos conselhos a sério e tomou atitudes sem se resignar à frase "É a vida", hoje tenho a certeza que está bem apetrechado para enfrentar a crise que se avizinha. Os outros não sei.
Com a crise a chegar oficialmente, como hoje aconteceu, este blog torna-se redundante e perde a sua mais importante característica, o estar dois passos à frente. Agora falar da crise é banal e dizer que já se tinha antecipado isto há 4 anos atrás não tem qualquer impacto.
É por isso altura de andar em frente e deixar este blog, com as datas bem explicitas, como um testemunho vivo do que foram anos e anos de trabalho e preparação, de investigação em fontes obscuras e longinquas dos holofotes dos mass media corruptos.
O que se segue ainda nao sei bem o que é, mas sei que vai estar 2 passos à frente também.
A preparação para a crise já teve de ter sido feita, quem não a fez, prepare-se para o pior. Agora começam a chegar as noticias das oportunidades, pois numa crise nem tudo pode ser mau.
Estando preparado para a crise que aí vem (e atenção que ainda nem chegou!!) podemos estar tranquilos que a nossa hora pode estar para chegar.
Outro blog ou coisa do género virá a curto prazo mas sem fazer qualquer referencia à crise que estamos a viver. Nem mesmo que estale uma guerra civil na nossa rua, o que tinha de ser dito já o foi. Agora veem os investimentos, a saída da crise, o agarrar das oportunidades que vão surgir e isso tem de ser dito noutro local.
Espero dar novidades em breve, até lá não hesitem em contactar-me para o mail saberaverdade@yahoo.com
Foi um prazer!

Monday, November 26, 2007

Reality-check

A realidade chegou quase sem avisar aos mercados financeiros. Os bancos e os consumidores americanos têm finalmente algo em comum, estão afogados em dívidas e o mercado habitacional americano não os deixa vir à tona respirar.
O Dow Jones está agora abaixo da média móvel dos 200 dias, o primeiro sinal de “venda”.
Os analistas pensam que qualquer coisa abaixo dos 12500 poderá despoletar vendas automáticas por parte do software usado para automatizar as ordens de bolsa, com o consequente crash do mercado.
Estamos a assisir a um colapso em tempo real.
A tempestade do crédito que assolou os EUA assola agora já todo o mundo, com a Ásia a ser a última a reconhecer isso, tendo até agora passado ao lado desta crise mas revelando os primeiros sintomas da doença com os rendimentos de depósitos a prazo a três meses na China e na Coreia a descerem a pique nos últimos dias para perto de 1%, com o consequente pânico e a retirada do dinheiro de aplicações de mais alto risco.
Terça-feira o governo chinês suspendeu totalmente o crédito bancário numa tentativa de parar a tempo uma autêntica bolha criada nos mercados financeiros.
Na Europa, o mercado interbancário de baixo risco das “covered bonds” foi suspenso o que denota o imenso nervosismo que reina entre os protagonistas financeiros. Assim, o mecanismo de conversão de bonds em dinheiro colapsou.
Jon Basile, economista do Credit Suisse afirma : “Existem imensas más notícias aí fora”.
Na California o governador Schwarzenegger juntou-se a 4 entidades financeiras e congelou as taxas variáveis (ARM) para alguns dos devedores de maior risco. Tenta assim evitar um colapso do mercado imobiliário da Califórnia cuja liquidez desceu mais de 40% nos últimos 2 meses com uma queda de preços da ordem dos 12%.
Com os preços das casas a descer e os empréstimos com carência de capital (onde só se paga juros e o capital em dívida permanece intacto) a subirem cada vez mais, não existe qualquer motivação para os que contrairam empréstimos os continuarem a pagar, pois nada da sua prestação está a amortizar o crédito pedido.Legislação vem a caminho juntamente com ajudas e mais ajudas que serão sempre os contribuintes a pagar em vez dos verdadeiros causadores da crise.

Thursday, September 06, 2007

Aos bancos centrais ! Falta solvência, não liquidez...

Está sempre tudo na mesma enquanto tudo está sempre a mudar. Gente que vai e vem, tal qual as bolhas económicas.
Parece que os humanos chegaram onde chegaram fruto de milhões de anos de selecção natural. Fomos moldados pela circunstância do nosso ambiente, tal como as girafas e os camaleões foram moldados pelos ambientes deles... e pelo acaso.
Aqui no blog, observamos os humanos como botânicos observam flores. Vemo-los crescer e florescer e registamos as mudanças das suas vidas.
Às vezes são temerários e destemidos, às vezes até temem o vento que lhes sopra nos cabelos e resolvem enclausurar-se neles próprios.
É que as circunstâncias mudam, estão sempre a mudar e os humanos raramente ou nunca as acompanham com a mesma velocidade. As pessoas hoje são mais ou menos iguais às que tomaram a Bastilha, erigiram as pirâmides ou cruzaram o estreito de Bering vestidos com peles. Estão sempre a tentar conseguir muito por pouco, e ficam extremamente decepcionadas quando percebem ser impossível. É por isso que criam o seu próprio ciclo de tentação, falhanço e arrependimento, repetindo-o vezes sem conta desde o príncipio dos tempos até hoje de manhã.
O que é hoje diferente é que nunca se viu padrões económicos e financeiros repetidos a tão grande escala como agora. Nunca tanto dinheiro procurou tantos bens e serviços, nunca os bancos centrais tiveram tanto poder para distorcer o mercado, nunca as pessoas tiveram tantas possibilidades de se submergirem em dívidas, nunca os “capitalistas” puderam comprar tanta corda para se enforcarem, a crédito. E nunca tantas instituições vieram tão rapidamente em seu auxílio.
E estávamos já nós de bata vestida para assistirmos ao último suspiro, às últimas convulsões e espasmos quando os bancos centrais vieram cortar a corda, na América cortando as taxas, na Europa não aumentando as taxas, distribuíndo mais crédito e dinheiro a quem menos merece.
Mas como sempre achamos que se vai passar exactamente o mesmo neste ciclo que se passou sempre em todos os outros, quando o dinheiro é abundante e fácil, o homem usa-o estupidamente.
Cometem-se erros que gradualmente se acumulam até que as correcções se tornam inevitáveis. E aqueles que esperavam ter muito por nada, e que até pareciam estar a consegui-lo enquanto tudo funcionava bem, ficam à espera de ajuda e salvamento quando se vêem afinal sem nada.
E o salvamento chega, alivia as dores e um novo folego surge, o doutor chegou mesmo a tempo.
O mercado accionista americano atingiu um máximo a 19 de Julho, terá sido o máximo possível por causa da bolha de crédito norte-americana, ninguém sabe. Mas sabemos que as acções desceram pouco, menos de 10% dos máximos históricos. Um mês depois foi atingido um mínimo para esta crise e tem vindo a recuperar desde então.
- Tudo está bem, gritaram todos em uníssono.
Mas nada está bem na verdade. O problema basilar do mundo financeiro é que padece de um síndroma que a moderna medicina financeira não pode curar. Se tudo se resumisse a um simples problema de liquidez, os bancos centrais resolveriam o caso amanhã mesmo.
O problema não é a liquidez, é a insolvência, causada por demasiado crédito, não pela falta dele.
Pessoas, empresas, países, os devedores devem mais do que podem pagar. Pedir mais emprestado não resolve o problema apenas o adia, talvez mesmo o disfarce, mas nunca o resolverá.
Nada é mais destructivo para uma economia do que dinheiro fácil. Multiplica os erros mais comuns e aumenta os estragos causados.
A maior fonte de dinheiro fácil é o dólar. O Fed imprime dinheiro como se não houvesse amanhã e até já deixou de publicar o seu índice M3, que mede a totalidade do dinheiro em circulação, para ninguém se assustar. Mas existe ainda quem meça este valor em privado e chegue a conclusões que não devem ser lidas nas próximidades de objectos cortantes. De facto a massa monetária americana aumenta 13% ao ano, 4 vezes mais do que o PIB americano, e na Europa anda quase nos 10%.
E muito dinheiro para todos nunca é boa ideia.
Os jornais falam-nos agora que é a Venezuela a descobrir isto da pior maneira. O dinheiro fácil venezuelano veio do boom do petróleo e permitiu a Hugo Chavez dar asas aos seus delírios azuis derivados da sua admiração por Trotsky e Guevara. Por isso, agora os preços no consumidor sobem 16% ao ano e certos produtos são impossiveis de encontrar mesmo a qualquer preço. O bolívar, a moeda venezuelana cai mais de 30% ao ano e no mercado negro o decadente dólar ainda vale 4750 bolívares.

Saturday, August 11, 2007

Agora é que começa a dar gozo, agarrem-se

Só agora todos ficam boquiabertos ao constatarem o facto das empresas de credito de alto risco (subprime) terem sobrevivido os ultimos meses artificialmente com injecções de capital provenientes dos grandes bancos da praça, ávidos de investirem em tao lucrativo sector.
E há muitos meses que aqui alerto detalhadamente para o crash do imobiliario e do subprime nos EUA e desde o inicio deste blog em 2004 que alerto mais generalisticamente para um crash financeiro de proporçoes inimaginaveis que aí está para vir.
Esta é a primeira grande tempestade de um inverno que se aproxima a passos largos e avassaladoramente pesados.
Assim, avizinham-se mais surpresas para os media e publico em geral para os próximos meses.
O espalhar da crise para os mercados de crédito comuns é inevitável ao invés do que disse o secretário do Tesouro norte americano que deveria agora ser confrontado com tais afirmações. De facto, o subprime falido estava suportado por divida à banca comum que agora também fica vulneravel perante tal terramoto. Juntem agora a falta de liquidez destes bancos que necessitam como de pão para a boca de novos clientes num mercado já saturado e em declinio, com a necessidade de controlar melhor a concessão de crédito e apertar as regras para não cair no mesmo erro das subprime. Inevitavel portanto o alastramento.
Alem disso, esta crise lança o fantasma do risco nos mercados, levando os investidores, especuladores ou o que lhes quiserem chamar a correr menos riscos e a tornar o mercado financeiro muito menos liquido exactamente numa altura em que este necessitava do contrário.
Por isso, a economia americana vai começar a viver um periodo em que todas as opçoes que pode tomar sao más.
Como se nao bastasse os chineses, atraves de um alto funcionario do Partido Comunista ligado às finanças, alertou os EUA para a iminencia de uma guerra economica em grande escala caso as tarifas aduaneiras dos States nao fossem flexibilizadas, ameaçando mesmo usar as astronomicas reservas de dolares para influenciar a economia americana e força-la a ceder, pois sem consumo e sem exportaçoes a America fica condenada ao desaparecimento.
Depois entram em cena os Bancos Centrais europeu e norte americano inundando o mercado de liquidez de modo a proteger o mercado financeiro e assegurar que o verdadeiro capitalismo nao triunfe sobre o intervencionismo e varra de uma vez por todas a imundicie financeira mundial. O intervencionismo na economia está na moda e os carteis bancários dele beneficiam.
Assim, vivemos um periodo em tudo semelhante ao pré crash de 1929 mas com muito mais agravantes. De facto, o racio entre os 0,01% mais ricos e os 10% mais pobres que desde 1929 até meados dos anos 80 andou nos 180-1, está agora em níveis de 880-1. Imediatamente antes do crash de 1929 era de 850-1.
Na altura o mobil do crime foi o mercado de acções, hoje, como já venho alertando desde há muito, é o imobiliario. Mas a maior diferença de todas é que na altura os EUA eram uma potencia em ascensão rápida, hoje sao um império em franco declinio, com todos os problemas e sintomas que um imperio em declinio tem, uma moeda a desvalorizar abruptamente, a falta de confiança na sua moeda no estrangeiro, uma revolta dos estrangeiros contra tudo e todos os que representem esse imperio decadente e sobretudo, interminaveis e esgotantes guerras na periferia do império, um estado de guerra permanente.
Afinal, nothing lasts forever...

Friday, August 10, 2007

Crise !? Onde é que eu já ouvi isto ??

É oficial, já toda a gente fala disso, a crise do hipotecário subprime nos EUA arrasta todos com ela, o Reino Unido e a Alemanha já estão praticamente em pânico e Portugal nao é excepção, ver a noticia de hoje do sapo http://noticias.sapo.pt/lusa/artigo/P581tPAH5GLteeg7NaFzuA.html

Depois leiam o meu post de 13 de Março de 2007 ao mesmo tempo que vos asseguro que nao sou bruxo. Mais uma "profecia" cumprida, seguem-se as outras.

Foi um prazer...

Sunday, August 05, 2007

Capitalismo selvagem ou pura democracia ??


Hoje ficámos a saber da anunciada subida do preço do leite, talvez em 10%. Os consumidores só podem mesmo é bufar mais uma vez e deitar as culpas para cima dos especuladores leiteiros que em vez de se preocuparem em produzir mais e melhor preocupam-se em fazer subir o preço do leite de modo a ficarem com mais uns bons euros vindos directamente dos nossos bolsos. Mas esta subida tem tante de perversa como de sintomática em relação aos tempos que vivemos. Afinal de contas esta subida deu-se este ano, depois das cotas de produção leiteira terem sido instituídas pela mão dos políticos podres da nossa uniao europeia e depois de termos assistido o ano passado à nojenta destruição de milhares de litros de leite por motivos de excesso de produção bem como ao pagamento de uma multa de 129.000 euros dos bolsos de todos nós à respectiva uniao.

Isto demonstra a perversidade de fixarmos administrativamente os preços, e da incompetencia e total ignorancia da classe politica.

Agora querem obrigar as novas construções em Lisboa a incluirem 25% de habitação a custos controlados. Aí já está toda a gente de acordo, com o leite é que nao. Quando o preço de mercado começar a subir para compensar as perdas é que quero ver.

Sempre que o mercado normal é violado sadicamente pelos politicos e pela fraca capacidade de raciocinio das massas que os apoiam, há porcaria.

Nas gasolineiras o acesso ao alvará era brutalmente condicionado e tivemos por isso a ascensao de um monopolio em cartel por parte das maiores petroliferas. Com a maior liberalizacao começa enfima a haver alguem que os desafia e oferece combustiveis a preços mais economicos para todos nós. Pena é ter sido apenas desregulamentado depois de consolidados os monopolios cartelizantes dos big players.

Na saúde, o governo mexe, remexe e volta a mexer nos preços fixos, preços livres, subsidios e tudo o mais e os seus preços nao param de crescer, com prejuizo para todos nós. Só agora começam a haver algumas pequenas baixas de preços com os hipermercados, isto é, onde há concorrencia a coisa começa a funcionar.

Nos telemoveis (aparelhos) e nas impressoras ( e em quase todo o material informatico) onde há uma completa desregulamentação do mercado, estes são quase dados. Nenhum estado obrigou os fabricantes a baixar os preços por causa dos pobrezinhos e mesmo assim quase todos os pobrezinhos têm telemovel.

Depois falam em privatizações como se estivessem a fazer alguma serviço publico quando apenas estão a autorizar um monopolio para uma empresa ou pequeno grupo de empresas. As privatizações sao apenas socialistas com sede de dinheiro e sem vontade nenhuma de trabalhar, pois com concessoes do estado nao precisam dispender muito esforço para a coisa ser lucrativa.

Ainda agora nos EUA, com o programa Medicare, onde o governo começou a intervir na area da saude à grande, o paradigma do atraso mental, Bush, conseguiu quadriplicar o gasto com saúde do estado e duplicar o dos cidadaos. Regulamentou, restringiu, concessionou e subsidiou e deu tudo para o torto.

Incrivelmente foi sempre com o mercado desregulado, caótico como diriam os defensores da intervençao do estado na economia, foi sempre nessas alturas que o progresso realmente se deu, que o nivel de vida dos cidadaos comuns melhorou mais. Antes da 1ª grande guerra, entre a 1ª e a 2ª guerra, quando estava tudo entregue à bicharada sem leis nenhumas, as verdadeiras economias de mercado dispararam a sua produtividade, e depois da 2ª guerra, nas mesmas condiçoes.

Na idade media, sem o controlo apertado do estado e apenas com um imposto fixo em vigor, um simples servente de pedreiro ganhava o equivalente hoje em dia a 13.300€ mensais, trabalhava 8 horas diárias e folgava ao domingo. Até saíram imensas leis que proibiam as classes não nobres de vestirem cetim, veludo e joias de modo a nao se confundirem com os nobres da altura. Eram do povo mas podiam comprar estes artigos de luxo. Raramente nos dizem isto.

Nem precisam de vir com a historia dos vossos avós que viviam na miseria porque sob uma ditadura o intervencionismo ainda mais se faz sentir.

Por fim temos o exemplo do bloco sovietico onde se vivam em miseria total no entanto tinham tecnologia de topo a nivel espacial e de inteligencia, os serviços secretos. Isto é, quando o estado dominava a economia era uma desastre completo, de qualquer modo os comunistas orgulham-se das tretas espaciais e dos jogos de espionagem esquecendo-se que só eram bons porque no fundo tinham concorrencia vinda dos EUA.

Com uma lei das rendas que obrigou os senhorios a congelarem os preços desde 1918, para agradar aos soldados que regressavam da guerra sem trabalho e sem casa, tornou-se a cidade de Lisboa numa cidade com imensos predios devolutos, a cair de podres e tudo o mais por ser impensavel para um senhorio colocar a casa no mercado sujeito a novos congelamentos, como depois veio a acontecer por mais 4 vezes até aos nossos dias. Com rendas de 10€ não é possivel obrigar ninguem a fazer obras. Claro que isto agradou aos bancos que emprestaram dinheiro a toda a gente para a compra de casa. Temos um caso clássico em que a classe burguesa, os proprietarios, perdeu contra outra classe burguesa, os bancos, deitando assim por terra a teoria da luta de classes. Existe sim luta de interesses, e se o estado regulamenta essa luta de interesses está a administrativamente dar a vitoria a uma dos lados que pode nem ser o mais eficiente ou benéfico para todos nós, consumidores, como geralmente nunca é. De facto, as concessões e privatizações têm como principal objectivo conceder monopolio, sozinho ou em cartel, a empresas que no mercado concorrencial nao sobreviveriam de tao pouco eficientes que são.

A concorrencia faz pensar, evoluir, colocar o maior numero de produtos ao alcance do maior numero de consumidores e o intervencionismo provoca distorçoes, monopolios, estagnação.

Tuesday, July 17, 2007

E agora? o que têm a dizer sobre isto???


Desde meados de 2004 que este blogue se preocupa com os destinos financeiros mundiais e de como esses destinos já estão traçados há imenso tempo por gente que já aqui falámos centenas de vezes.

Tem sido uma tarefa que requer estudo, oportunidade e muito tempo pois quem assim desenhou o nosso futuro fê-lo de modo a ser dificilmente descoberto para que os seus ganhos fossem exponencialmente maiores. Percebe-se.

Temos aqui falado inumeras vezes dos paralelismos entre 1929 e os dias que se vivem, delineando uma imagem o mais aproximada possivel da gigantesca grande depressao que se avizinha e de como nos podemos proteger contra isso.

Quem estuda economia sabe que nos momentos anteriores a um grande crash começam a ser lançadas nos media de massas noticias sobre um possivel estoiro da bolha, noticias que servem muitas vezes para detonar esse estoiro, lançando o medo necessário a um pânico geral de modo a criar o sentimento de venda.

Penso que esse momento está a chegar, 3 anos depois de aqui o termos começado a prever, e depois destas teorias serem apelidades de catastrofistas, irreais, ingénuas e sem conhecimento de causa. Depois de ouvir inumeras vezes entendidos afirmarem que nunca se repetirá nada parecido com 1929 pois o Homem e sobretudo o Homem Economicus, diria mais o Homem Financeirus, terá arranjado maneira de construir e aperfeiçoar o sistema de modo a torna-lo imune às mais básicas regras económicas que sempre regeram o universo.

Então vejam o que é que o portal msn.com tem na sua primeira página de hoje. Vejam o printscreen que fiz e destaquei com um circulo vermelho.

Nada menos do que 5 noticias só sobre o crash iminente e os paralelismos com 1929. Toda a area de economia, o msn money, está tomada por estas noticias.

Lembram-se do Pedro Caldeira, o corretor de bolsa que em 1989 desapareceu com 2 milhoes de contos dos seus clientes? Lembro-me de o ouvir dizer que tomou a decisão de dar o piro quando viajava de taxi e o seu taxista sem saber quem ele era, se pôs a dar palpites sobre o mundo financeiro, mostrando-lhe que já todos falavam disso sem sequer saberem do que estavam a falar. Exactamente como eu me sinto agora...

Wednesday, June 20, 2007

Isto é um pátio nao se passa nada...

Mal sai a noticia de uma qualquer tempestade mais forte lá fora, diga-mos em Espanha ou na França, ou até mesmo nas nossas ilhas, saímos à rua e começamos logo a ouvir dizer bastas vezes, - Será que chega para cá?
Por isso, depois de tanto falar dos EUA, das suas crises, da China etc e tal, deve vir à cabeça de muitos essa mesma frase aplicada, está visto, às tempestades financeiras globais. Será que chega cá? Afinal sempre ouvimos dizer que quando a economia americana espirra, o mundo constipa-se. Mas debrucemo-nos um pouco sobre o velho continente para ver ao perto como vai evoluir isto por aqui.
Primeiro temos noticias péssimas vindas do nosso país irmao, ou vizinho como prefirirem. É que por lá o imobiliário também já rebentou, espelhando minuciosamente o que se passa nos EUA. Os espanhois conseguiram fazer pior que nós em termos de endividamento e subiram de 75% em 1995 para 133% no ano passado, nós "ainda" só vamos em 125%. O seu défice na balança de pagamentos é mais de 3 vezes o da França e no mundo apenas os EUA conseguiram fazer pior. A tendência dos juros a subir desenfreadamente não auguram nada de bom para o futuro. E aqui reside o fulcro dos próximos tempos para a união europeia, preve-se já a primeira grande crise sistémica na Europa do euro. Temos agora a Europa a 2 velocidades, talvez mesmo a 3 velocidades se isolarmos o crescimento dos países de leste. De um lado temos as fortes tendências de crescimento das economias alemã e holandesa, contra a tendencia inversa dos espanhois, portugueses, irlandeses, gregos, italianos e até mesmo franceses. Ora, tendo nós conhecimento que o Banco Central Europeu é um instrumento alemão, pouco eles se vão preocupar com as necessidades especificas dos países atrasados do Sul e hão-de continuar a subida incansável dos juros, agravando enormemente a situação dos endividados. É um problema que se costumava viver na politica agricola comum, termos um comissário finlandês a ordenar aos agricultores portugueses o que cultivar. Só que com dinheiro não se brinca e devia ser por isso que o premio nobel da economia, Milton Friedman, dizia que a banca central era demasiado importante para ser deixada aos banqueiros. Assim, antevê-se uma crise verdadeiramente incómoda no seio do nosso continente, talvez assim ajudando o dolar a flutuar mais uns tempos antes de ir ao fundo.
A juntar à festa temos a quase implosão do sistema monetário dos países do báltico, especialmente a Letónia onde a esfera de influência sempre foi a Russia, as moedas locais estão super-inflacionadas para se prepararem para o euro e temos assim cidades tão caras como as mais caras da Europa mas com salários de apenas 150€. O mercado negro é enorme e estes países tornaram-se quase estados satélite da máfia russa. E quando esta bolha rebentar veremos muitos empresários da zona euro completamente à nora quanto aos avultados investimentos feitos na "infalivel" bolha do báltico. E depois sim, será bom para investir, claro está, com a permissão dos mais respeitáveis mafiosos da região.
Assim, os tempos tambem nao vao ser faceis para todos nós, espera-se turbulencia para o euro embora com boas perspectivas no longo prazo. Ainda não é já que podemos rir na cara dos americanos, embora sabendo que eles estão muito piores que nós.

Tuesday, June 12, 2007

R.I.P.

Depois de muito tempo sem escrever, os escritos anteriores podiam ter deixado de fazer sentido nao fosse a realidade confirmar praticamente tudo o que se tem vindo a dizer. Mas o que me leva a voltar ao trabalho aqui no blog é o lançar de um novo grito de alerta para os tempos de mudança que temos andado a viver, mudanças de fundo no contexto geopolitico, economico e financeiro. De facto, urge perceber o que se passa para se entender o que se vai passar, pois os grandes ganhos vêm do entendimento dos sinais dos tempos antes dos tempos mudarem de vez. Assim, o mundo teimosamente insiste em seguir um caminho já antes trilhado, não vamos nós insistir tambem em só nos apercebermos disso quando já nada houver a ganhar com isso. Mas entao, comecemos...
Da já afamada crise financeira global que tanto se tem falado aqui neste blog, temos sinais de tal modo fortes dados nos ultimos 3 meses que não podia ter deixado passar em vao. Meus amigos, pela primeira vez desde a I Guerra Mundial os EUA perderam o estatuto de centro financeiro mundial. Os mercados financeiros no final de Março totalizavam 11760 bilioes de euros nos EUA e 11819 bilioes na Europa. Nos ultimos anos os mercados americanos cresceram 70% contra os 160% dos mercados europeus. Claro que a depreciação do dolar nao ajudou nada, mas esta tendencia verifica-se tambem nas trocas comerciais mundiais, onde já em 2005 os europeus representavam mais de 50% de todo o comercio externo da Russia, 65% da Argelia, 31% do Irao (seguido pelo Japao com 12%), 20% da Arabia Saudita (contra apenas 16% dos EUA), 30% do Kuwait (contra apenas 11% dos EUA) entre muitos outros. Note-se que os EUA detinham os primeiros lugares em todos estes mercados por larga margem de avanço. A China ultrapassou mesmo os EUA como o 1º importador na Uniao Europeia. Este ajustar de forças geopoliticas e economicas está a acontecer agora e a uma velocidade estonteante, levando os habituais players do mercado a não reagir pois estão imobilizados com teorias e tendencias que funcionaram durante quase um seculo e que agora começam a valer nada.
Temos de juntar a isto a grave crise imobiliária nos EUA, que tem funcionado como uma caixa multibanco para cada familia americana endividada até aos cabelos com emprestimos sobre a habitação na expectativa da subida de preço do imobiliario, que já todos agora percebem não vai acontecer. Algumas das maiores instituições financeiras americanas já estão a falir, a 2ª maior de todas, a New Century, foi a falencia mais badalada mas outras aconteceram e muitas mais se esperam acontecer. De facto o problema já é grave o suficiente para fazer manchete em todas as cadeias de media americanas, em programas como a Oprah e por todo o lado. Os unicos a não admitir o gravissimo problema (gravissimo porque tudo está baseado em consumo privado e sem dinheiro não há consumo, logo esta crise nao tem resoluçao à vista) sao os big players financeiros e a propria reserva federal americana, ambos com muito a perder caso o admitam publicamente.
O Fed não admite a depressão pois isto obriga-lo-ia a baixar as taxas de juro, depreciando ainda mais o dolar e fazendo a moeda americana colapsar ainda mais depressa do que se tem apregoado, os bigs das financeiras porque é nesta onda que têm surfado nas ultimas decadas e nao sabem surfar noutras, alem disso ainda há muito dinheiro a ganhar com todo o maralhal que ainda acredita nos conselhos destes tubaroes financeiros.
Com isto tudo vem o dizimar por completo da classe média americana empurrando-os para baixo e roubando-lhes as poupanças. Preocupante é tambem a analise do racio de rendimentos entre os 0,01% mais ricos e os 90% mais pobres que desde 1950 tem andado entre os 170 a 180 e que de repente saltou para os 880 em 2005, niveis apenas vistos nos meses anteriores à grande depressao de 1929 em que o numero era de 891. O problema dos americanos é que 1929 aconteceu num contexto de crescimento da influencia dos EUA no mundo e hoje acontece exactamente o oposto. Por isso, em vez de termos uma grande depressao teremos uma enorme depressao. Num exemplo recente do deliberado esmagamento da classe média americana, a segunda maior cadeia de electronica de consumo, a Circuit City Stores, despediu 3400 trabalhadores, 8,5% do seu pessoal de loja que ganhavam entre 10-11 dolares por hora para contratar o mesmo numero de trabalhadores a um preço de 8 dolares por hora. As novas contrataçoes deram-se na America e com americanos, ou seja a classe média perdeu membros que passaram para a classe baixa, e a classe baixa ganhou trabalho pago como classe baixa e ainda recebeu mais membros fruto do desemprego ocorrido na classe média, um autentico downgrading social.
Com toda esta crise as falencias pessoais aumentaram exponencialmente, os casos de incumprimento bancário também e cada vez mais pessoas estão a perder as suas casas tomadas pelos bancos credores. Nos EUA o intervalo de tempo entre o incumprimento bancário e a perda do imovel é em média de apenas 3 meses. Não tem havido novas compras de imobiliario, os impostos sobre o patrimonio e as transacções imobiliarias tem descido a pique bem como as receitas fiscais relacionadas com o consumo. Na California e na Florida as receitas fiscais diminuiram pela primeira vez em 30 anos. As receitas dos impostos sobre os lucros das empresas têm descido vertiginosamente tambem. Isto vai levar a mais endividamento publico a juntar ao já obsceno endividamento americano, levando a mais uma queda do dolar.
Depois temos os iranianos a afirmar que mais de 60% das suas exportações já são feitas em moeda totalmente independente do dólar. Claro, temos o Irão fora todos os outros países que já só querem distancia do dolar, até mesmo da China.
Mas se tudo isto nao bastasse, sao os proprios numeros estatisticos a darem-nos a dimensao do problema. De facto os EUA entraram em recessão técnica em Maio. Não de acordo com o seu PIB expresso em dolares, mas quando analisamos os mesmos dados mas com as contas feitas em Euros, Libras, Yenes ou Yuans, o resultado é o mesmo, a recessão técnica. Ou seja, para a America existe crescimento, para o resto do mundo existe recessão. É a magia dos numeros a funcionar.
Por isso meus amigos, esqueçam tudo o que leêm e ouvem nas noticias, e se estão à espera de um crash bolsista lembrem-se que a quando a bolsa crasha é porque tudo o resto já caiu tambem.
Os EUA já eram, a missa já foi lida mas o mundo inteiro ainda mantém a ideia contrária e toma decisoes com esta base, ajudando os grandes tubaroes a planearem a sua fuga e deixarem o menino nos braços da classe média cega por promessas de infalibilidade do sistema e incorruptabilidade do imperio americano. Conversa tal e qual a imposta nas vesperas de 1929.
Nunca nenhum imperio sobreviveu para sempre nem nenhuma moeda sobreviveu mais do que 100 anos sem colapsar.

Thursday, April 12, 2007

O Golpe de Teatro Global


Como já aqui tinha afirmado, o futuro energético do planeta já está assegurado e esta crise petrolifera é apenas um golpe para ajudar a transiçao, para esta se tornar mais pacifica.

O problema das energias renováveis é serem baratas demais, o que retira o controlo e o lucro que os suspeitos do costume podem obter para tao grande mercado.

De facto, já aqui tinha dito que as grandes famílias, incuindo a do Bush, as grande petroliferas e as enormes fortunas já começam a deslocar-se para longe do petróleo e a abraçar fortemente a energia nuclear.

E estas guerras contra as armas de destruiçao massiça prende-se exclusivamente com a tomada do controlo absoluto deste recurso, de modo a centralizar toda a dependencia energética mundial numa unica agencia global, que condicionará, por "motivos de segurança" o comércio livre de combustivel nuclear, impossibilitando a qualquer naçao a gestao dos seus recursos energéticos sem o aval (e o pagamento de uma pequena taxa) deste orgao.

Só com o nuclear se pode controlar efectivamente toda a energia do planeta, as rotas de transporte de combustivel nuclear, as suas condiçoes de armazenamento e produçao e a sua venda, de modo que qualquer país que decida ter o seu próprio programa ou mesmo ter a sua própria produçao vai ser impedido pelas Naçoes Unidas, possivelmente invadido e o seu governo "democratizado". Tudo bem apoiado pela massa de cidadaos que caem mais uma vez na armadilha do politicamente correcto, sentindo-se inseguros caso fosse de outra forma.

O grande problema é que o nuclear, hoje em dia uma forma barata de produzir energia, quando totalmente controlado pelos nossos amigos, vai deixar de ser barato para passar a ser tao ou mais caro do que as soluçoes actuais. Nunca deveremos esperar uma reduçao nas facturas energéticas. Embora a energia continue a ser barata de produzir, vao surgir taxas e mais taxas, impostos para isto e para aquilo que apenas aumentam a margem de lucro de quem realmente controla o assunto, e nunca para o publico em geral.

Depois do golpe, pode-se deixar cair entao o petroleo como fonte de energia primordial. Até lá teremos um choque petrolifero, um aumento brutal do preço do petroleo, para depois nos ser apresentada a soluçao nuclear mais barata e mais limpa. Os preços voltarao a descer mas nunca ao nível dos actuais, coisa que se está a passar constantemente com o preço da gasolina.

Sempre aqui disse que a subida da gasolina era inevitavel, mas as pessoas esquecem o assunto mal a gasolina começa a descer de preço, ficando aliviadas e com esperança no futuro. Claro que isso nunca se verifica, a gasolina desce apenas para voltar a subir mais tarde, como que dando aos cidadaos um rebuçado enquanto se preparam para os fazer passar fome. As descidas de preço servem apenas para abrir caminho às subidas, nunca pensem o contrário.

No gráfico vemos a confirmaçao desta historia sobre o nuclear, com os preços do uranio desde 2002 até hoje. O padrao é fácil de perceber. E quando o uranio estiver suficientemente caro e todo o seu percurso controlado por uma agencia "independente", o golpe de teatro termina assim como a crise energetica global. Até lá ainda vamos penar muito...
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